Língua azul: o que nos ensinam os veterinários belgas após 2024–2025

No dia 17 de novembro, estivemos em Ciney para os Encontros da AESA organizados em colaboração com a ARSIA. Embora fortemente ancorado na realidade de campo belga, este evento proporcionou aprendizagens valiosas que vão muito além das fronteiras da Bélgica para todos os profissionais que trabalham com ruminantes.
O programa incluiu trocas de experiências, análises epidemiológicas e debates sobre a gestão do BTV-3, BTV-8 e da EHE, três vírus para os quais a vacinação foi obrigatória na Bélgica em 2025.
As diferentes intervenções permitiram compreender melhor o impacto real destas doenças nas explorações ovinas, caprinas e bovinas, bem como os seus efeitos prolongados na reprodução e na organização das explorações.
As apresentações de Nicolas Marchal, dos Drs. Laurent Delooz e Julien Evrard (cujos trabalhos foram publicados na revista Viruses), e o testemunho do Dr. Jean-Philippe Demonty destacaram a importância de uma vacinação antecipada e de um acompanhamento próximo dos produtores.
A Dra. Hélène Gérard (SPF) reviu a implementação da vacinação obrigatória em 2025 e os desafios enfrentados.
Seguiu-se um debate altamente participativo, que permitiu a cientistas, veterinários, produtores e autoridades expressarem os seus pontos de vista e apresentarem propostas concretas. Como recordou o Prof. Claude Saegerman na sua introdução, esta abordagem coletiva é essencial para avançar rumo a uma gestão mais coerente e previsível das doenças transmitidas por vetores.
Quais são os 10 pontos-chave a reter destes encontros com os veterinários belgas?
- A vacinação protege muito mais do que um único animal.
Previne perdas reprodutivas, atrasos de crescimento e quedas de produção que podem afetar toda a campanha. - Mesmo sem subsídios, continua a ser um investimento rentável.
O custo de um surto supera amplamente o custo da vacinação preventiva. - A ausência de sintomas não significa ausência de vírus.
BTV-3, BTV-8 e EHE podem circular silenciosamente durante meses. - O momento da vacinação é tão importante quanto a vacina.
Vacinar antes da atividade dos Culicoides é decisivo para evitar a infeção. - A continuidade é essencial.
Interromper a vacinação demasiado cedo aumenta o risco de um ressurgimento em 2027. - O veterinário é o melhor aliado do produtor.
Conhece o terreno, os períodos de risco e as necessidades específicas de cada exploração. - A carga mental e o stress também contam.
Prevenir a doença evita semanas de incerteza e pressão emocional em explorações e equipas veterinárias. - Informar-se através de fontes fiáveis faz a diferença.
Confiar no veterinário e nas autoridades reduz a confusão gerada por rumores e redes sociais. - Os impactos indiretos são significativos.
Atrasos reprodutivos, perdas temporárias de produção e perturbações no planeamento económico afetam a rentabilidade anual. - Cada exploração contribui para a proteção coletiva.
Quanto maior a cobertura vacinal regional, menor a circulação viral e maior a proteção ao longo de toda a cadeia produtiva.
📌 Três mensagens essenciais
- Planear a vacinação antes do período de atividade dos Culicoides continua a ser fundamental para limitar o impacto sanitário e económico das doenças transmitidas por vetores.
- A circulação viral permanece ativa; é essencial manter a vacinação em 2026, especialmente nos animais naïve.
- A cooperação entre produtores, veterinários, instituições e investigadores é decisiva para uma preparação mais eficaz das próximas temporadas.
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