Search
Generic filters
Search in excerpt

[Falemos de Rumiantes n° 6] A proteção contra a língua azul: muito mais do que uma resposta de anticorpos

A eficácia de uma vacina contra o vírus da língua azul (BTV) não pode ser avaliada apenas pela quantidade de anticorpos que gera. Embora os anticorpos, especialmente os neutralizantes, desempenhem um papel importante ao impedir a entrada do vírus nas células, representam apenas uma parte da complexa resposta imunitária que se ativa após a vacinação.

A vacinação reproduz de forma controlada uma infeção natural com o objetivo de gerar memória imunológica. Desde as primeiras horas após a administração da vacina intervêm numerosas células do sistema imunitário inato, como macrófagos, células dendríticas ou células NK, que coordenam a ativação da imunidade adaptativa. Posteriormente, os linfócitos T e B trabalham de forma conjunta para gerar uma resposta eficaz e duradoura, desenvolvendo tanto anticorpos como células de memória capazes de responder rapidamente a futuras exposições ao vírus.

O artigo destaca que, embora a serologia (ELISA) e as provas de soroneutralização sejam ferramentas muito úteis para medir a resposta vacinal, não devem ser interpretadas como o único indicador de proteção. Com efeito, diferentes estudos demonstraram que alguns animais podem estar protegidos contra a doença mesmo com níveis baixos ou não detetáveis de anticorpos neutralizantes, graças à participação da imunidade celular, especialmente dos linfócitos T CD4+ e CD8+.

Os autores concluem que a proteção contra a língua azul resulta da interação coordenada de todos os componentes do sistema imunitário. Reduzir a eficácia de uma vacina a um único parâmetro pode conduzir a interpretações erróneas. Compreender esta visão global permite avaliar com maior rigor a resposta imunitária induzida pelas vacinas e reforça um conceito fundamental da imunologia moderna: a proteção duradoura depende da cooperação entre todas as células e mecanismos do sistema imunitário, em que a integração das respostas humorais e celulares constitui a melhor defesa contra a infeção.

Link para a publicação científica: A eficácia das vacinas contra o vírus da língua azul (BTV) explicada através de princípios básicos de imunologia [PDF]